Nos Estados Unidos, a lista de livros mais vendidos divulgada pelo jornal The New York Times é fixada nas vitrines de livrarias e serve de guia de tendências. Com apenas um olhar você é capaz de decifrar, por exemplo, quais temas estão mais em alta: vampiros ou anjos, suspenses ou romances, etc. Contudo, a classificação dessa lista não é tão simples quanto à adotada aqui no Brasil (ficção, não ficção e autoajuda e esoterismo) porque ela também divide os livros pelo tipo de apresentação do produto (capa dura, brochura, livro eletrônico) e outras características (infantil, manga, quadrinho, infantil de ilustração, etc). Atualmente, o jornal adota 20 categorias, sendo que algumas foram implementadas este ano para englobar melhor os e-books.
Antes de explicá-las, precisamos entender o tamanho do mercado americano de livros. Um relatório do Book Industry Study Group, uma associação americana que trabalha para a indústria dos livros, projetou que 2011 será um ano apertado para o mercado americano, com um crescimento entre 3% e 4%. Mas você faz ideia de quanto o mercado americano vai movimentar mesmo com um crescimento insignificante para os padrões yankees? Pois é melhor se sentar, porque o número é de tirar o fôlego: US$43 bilhões (mais de 70 bilhões de reais)! Só no formato brochura serão, aproximadamente, 2,220 bilhões de unidades comercializadas (uma queda de mais de 60 milhões de exemplares se comparado ao dados consolidados de 2007).
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| Capa da revista Newsweek com a chamada: "Os livros não estão mortos. (Eles apenas estão ficando digitais.)" |
- Combined Print & E-book Fiction (Combinado Impressos & E-books de ficção)
- Combined Print & E-book Nonfiction (Combinado Impressos & E-books de não ficção)
- Hardcover Fiction (Capa dura de ficção)
- Hardcover Nonfiction (Capa dura de não ficção)
- Paperback Trade Fiction (Brochura “trade” de ficção, brochura para comércio em livrarias)
- Paperback Mass-Market Fiction (Brochura “mass-market” de ficção, brochura voltado para o mercado de massa)
- E-book Fiction (e-book de ficção)
- E-book Nonfiction (e-book de não ficção)
- Hardcover Advice & Misc. (Capa dura de conselhos e miscelânea, correspondente ao nosso autoajuda e esoterismo)
- Paperback Advice & Misc. (Brochura de conselhos e miscelânea, correspondente ao nosso autoajuda e esoterismo)
- Children's Picture Books (Livros infantis de ilustrações)
- Children's Chapter Books (Livros infantis de capítulos)
- Children's Paperback Books (Brochuras infantis)
- Children's Series (Livros infantis em série, nessa categoria ficam Harry Potter, Crepúsculo, Percy Jackson, etc)
- Hardcover Graphic Books (Quadrinhos em capa dura)
- Paperback Graphic Books (Quadrihos em brochura)
- Manga (Quadrinhos japoneses)
- Combined Hardcover & Paperback Fiction (Combinado Capa dura & Brochura de ficção)
- Combined Hardcover & Paperback Nonfiction (Combinado Capa dura & Brochura de não ficção)
As divisões entre ficção e não ficção são fáceis de entender, mas a diferenciação entre Hardcover e Paperback ou, complicando um pouco mais, Paperback Trade e Paperback Mass-market não parecem significar muito para nós brasileiros, não é? Porém, com a nossa explicação você vai perceber que elas fazem sentido e vai descobrir que o mercado brasileiro trabalha com formatos que podem ser classificados nessas categorias.
- COMBINED: não tem mistérios, apenas apresenta a soma das vendas de duas categorias distintas, ou seja, conseguimos saber qual livro vendeu mais independente da apresentação e do público alvo.
- HARDCOVER: nada mais são do que livros com capa dura (igual aqueles cadernos infantis que não amassam ou os antigos livros encadernados) e podem ser considerados os mais nobres do mercado americano, tanto que são os mais caros (na faixa dos US$30, uns 50 reais). Costumam ter mais páginas, já que o projeto gráfico deles é mais valorizado, e são encadernados usando uma técnica de costura.
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| Livro capa dura antigo e detalhe da encadernação costurada |
- PAPERBACK TRADE: a versão mais chique do livro brochura (livro de capa mole que pode ser dobrada), e é a que mais vemos à venda aqui no Brasil, comercializada exclusivamente em livrarias. É fabricada em papéis nobres e tem projeto gráfico elaborado (apesar de podermos notar um número menor de páginas se comparada ao hardcover). As capas são desenhadas exclusivamente para o livro, refletindo o espírito do conteúdo. Essa versão é um pouco mais barata, na média de US$15 (25 reais).
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| Capa americana do livro "Reparação" na versão "Paperback Trade" |
- Paperback Mass-Market Fiction: a mais barata das versões, o preço dificilmente passa dos US$10 (17 reais). O valor tão reduzido é justificado através do uso de materiais mai simples na confecção, o que permite chamarmos a “mass-market” de prima pobre da “trade”. Apesar de possuir o mesmo conteúdo, é impresso em formatos menores (geralmente pocket), em papéis baratos (tipo papel jornal) e costuma ter como arte da capa os posters dos filmes aos quais deram origem (para atrair as pessoas que assistiram ao filme, mas não conhecem o livro). O projeto gráfico é mais desvalorizado nesse formato, pois nele o objetivo é o menor custo de produção possível (letras menores + espaços em branco menores + poucas páginas = livro barato). Esse formato é vendido em pontos de comércio variados, como drogarias, supermercados, aeroportos, etc.
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| Capa americana do livro "Reparação" utiliza arte baseada em filme na versão "Paperback Mass-Market" |
Essas categorias são tão importantes que o ISBN (International Standard Book Numbers, os números de registro desse tipo de produto) dos livros publicados nos Estados Unidos tem códigos que identificam se eles são hardcover, trade ou mass-market.
Mais do que isso, essa diferenciação tenta diminuir uma distorção causada pelas altas vendas do chamado “mass-market”. Os livros voltados para a população em geral vendem muito acima da média de outros nichos, pois são mais baratos e, consequentemente, com maior incidência de compras por impulso. É por esse mesmo motivo que livros de autoajuda e religião não entram nas listas de ficção e não-ficção.
Ao mesmo tempo que a divisão adotada pelo NYT gera polêmica entre os autores que gostariam de figurar na parte que chama mais atenção na lista, ela tenta ao menos ser justa com tudo que é lançado no mercado americano de livros.






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